Neste lugar sem acesso

O teu nome ainda me arrepia, a tua voz ainda ecoa nos meus ouvidos e o teu riso ainda faz estremecer o meu coração. Guardo-te aqui, neste lugar especial chamado de coração, onde tu encontraste um lugar para ti, onde te alojaste e ainda ponderas haver um espacinho para ti.

É tão difícil deixar-te, aceitar que houve alguém que chegou antes de mim e fez com que o nosso destino não fosse ficar juntos. Deixa que doa, deixa que doa tudo agora para que, um dia, seja mais fácil aceitar que tu não estás nem nunca vais estar. Se fosse hoje tinha-te pedido com jeitinho para não começares a escrever a nossa história em folhas soltas, para não abrires túneis que nos cruzam, para não me ligares à tua vida. Quem me dera nunca te ter conhecido, nunca ter visto esse olhar que guardas para mim, nunca ter sentido borboletas, nem saber que sentes o mesmo.

Não quero pensar em ti. Não quero saber onde estás. Não quero recordar tudo aquilo que já dissemos. Não quero sentir de novo todos os teus risos, todos os olhares, todo o amor me mandaste. Só te quero guardar num lugar onde eu não vou, num cofre do qual não tenho a chave, num frasco que não dá para abrir, no meu coração, sobretudo no meu coração.

Foi bom, foi tão bom voltar a sentir.

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A força está em desistir

john-jennings-IcT8l8DDek8-unsplash.jpgRisco-te da minha vida. Fecho a janela que abrimos sem te dizer até logo. Tu não sabes, mas eu já não estou. Estás sozinho na cumplicidade que criamos, nesse carinho que nos transparecia pelos olhos quando estávamos juntos e se manifestava nas ações. Tive de te trancar num lugar inacessível do meu coração, deixei lá as boas memórias, os sorrisos, as palavras vindas do coração e as promessas que nunca se cumpriram. Na minha mente só guardei aquilo que eu preciso, chutei os pensamentos, deixei de imaginar como será e encaro-te como um igual a tantos outros. Às vezes só precisamos que o coração doa com uma resposta que não chega, que as lágrimas fujam dos nossos olhos por uma promessa que não se cumpriu para encher o coração de força, treinar a mente e desistir daquilo que não nos faz bem. Vai doer, ainda tem tanto para doer, mas só dói agora. Larga a nossa corda, deixa de fazer planos, esquece as promessas, não olhes para mim e continuar a seguir em frente. Os nossos caminhos não se cruzam, nem mesmo pelos atalhos, porque nos encontramos no tempo errado. E, por mais bonito que seja o teu sorriso, e por mais que o teu olhar me encha o coração e me faça querer estar contigo, abraçar-te o dia todo, fazer-te promessas de amor, eu aceito que a nossa vida não siga pela mesma estrada.

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O amor que te tenho

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Engulo as palavras que tenho para te dizer. O amor não pode ser este lugar incerto, este aperto no peito de cada vez que recebo uma mensagem, a ânsia de uma chamada que não chega, a procura incessante por ti em todas as esquinas por onde ando. Esta tentativa de fingir que não penso em ti, que não quero saber de ti.

O amor é o lugar que eu encontro quando olhas para mim. É a felicidade do reencontro de cada vez que te vejo. É todas as vezes que me perguntas, quando essa tua voz, se está tudo bem comigo. É quando te esqueces de todos os que te estão ao nosso lado e olhas para mim. Se eu pudesse colocava tudo o que sinto num frasco e bebia dele de cada vez que me dóis.

O teu silêncio, a tua ausência, as promessas que ficam por cumprir. Se imaginasses como dói cada dia. Se imaginasses como é guardar sozinha um segredo que me ocupa o pensamento em todos os segundos. O que é querer falar contigo e não poder. O que é querer segredar-te promessas de amor que eu não posso.

És o meu desafio, a maior incerteza da minha vida, aquele lugar de onde eu quero fugir quando o que mais desejo é ficar. E se um dia eu fiquei feliz por ter encontrado as respostas às minhas perguntas, hoje eu só queria voltar atrás no tempo e apagar o que te disse. De que me valem as palavras que só são ditas uma vez? De que me valem as promessas que me provocam um sorriso se elas não são cumpridas? De que me vale o amor se não o tenho comigo? De que me vale amar-te se não te tenho ao meu lado?

Se eu pudesse berrava contigo, chorava tudo o que tenho a chorar e apagava-te da minha vida. O tempo cura tudo, e de certeza que irá curar o amor que te tenho.

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Caminho sem saída

javier-allegue-barros-761133-unsplash.jpgPodia acordar com esse bom dia, todos os dias. Há sentimentos que as palavras não descrevem, mas que o coração grava como se fosse aquele boost de energia que ele precisava para continuar a bater. Se sempre esperei ver-te lá, e não te fui encontrando por mais que procurasse, ver-te foi a maior surpresa daquele dia. Naquele momento, tudo valeu a pena, tudo fez sentido. Não importa se correu bem ou se correu mal, não importa se gostaste de me ver naquele papel ou não, o que importa é que me viste, feliz, sorridente, deslumbrante. Ainda bem que me encheram a alma e o ego de palavras doces, que me deram a certeza que tu não me deste. Afinal, nunca irei compreender-te, por mais que tente, por mais que te puxe para mim. Guardas contigo todas as palavras que eu gostava que tu dissesses e fazes-me acreditar que nunca pensaste nelas, esse teu silêncio, esse cuidado com tudo o que dizes. Ainda bem que há um de nós tão racional. Assim, há um caminho que fica sem saída e que me obriga a voltar para trás.

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Não te cheguei a ouvir

shttefan-280960-unsplashObrigada. Por todas as palavras que não me disseste, por todos os desejos que guardaste para ti, por todas as mensagens que começaste a escrever à mesma velocidade que apagavas, pelas chamadas que deixaste por fazer, por todas as vezes em que desvalorizaste o que era feito por mim, pelas vezes em que fizeste questão de não estar presente, pela falta de atitude, por não dares preferência à minha presença, por não contares com a minha opinião, por nunca estares lá. Na verdade, tu não tens culpa, tu nunca me segredaste ao ouvido, eu é que pensei ter ouvido.

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Coração amarrado

Aprendi a guardar no meu coração todo o carinho que tenho por ti. Afinal, ensinaste-me o caminho de volta para o amor. Trouxeste contigo as borboletas, os batimentos fortes, as bochechas vermelhas e as frases sem sentido. Fizeste-me perder a razão, ir aos meus limites e descontrolaste-me os sentimentos. Por momentos, achei que não sabia viver sem o sentimento que me une a ti, procurei como uma louca por respostas a todas as minhas perguntas, quis abraçar-te com força e segredar-te ao ouvido promessas de amor. Quem és tu e porque me amarras o coração? És tu quem me rouba com um só olhar, quem leva consigo o meu coração, a minha alma, as certezas, o meu norte e toda a minha vida. Que te fiz eu para te dever tanto assim? Tantos pedaços de mim que vão contigo de cada vez. Penso em ti mesmo quando não estás, vejo te ao longe mesmo que não sejas tu. É forte, é poderoso, é capaz de mover montanhas. Mas sossega o meu coração, afinal não foste mais do que um sonho. Um sonho doce, caloroso, onde sabe bem estar.

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O meu sonho

bed-cute-dog-206396Fecho os olhos e trago-te para o meu sonho. Já que a realidade não nos une, deixa-me sonhar que um dia te tenho. Não há nada melhor que as borboletas que carrego na minha barriga e que me fazem rir todos os dias, afinal são cócegas de felicidade por um dia te ter conhecido. É de olhos fechados que te consigo dar a mão, sentir o teu cheiro, olhar-te nos olhos e sentir um abraço retribuído. Que abraço forte que, em tantos dias, me faz falta. Caminho ao teu lado, rio contigo, falo para ti como se fosses a minha cara metade, e mostras-me ao mundo como se eu fosse tua. Deste lado, não há nada que trave os nossos sentimentos de ser vividos. Não quero acordar, não te quero deixar desse lado, não quero não sentir borboletas. Contigo, nada mais importante senão a certeza de te ter.

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Que perfeito adeus

back-view-clouds-girl-398533Falta-me o ar, mas não me falta o amor. A barriga contrai-se e eu quero fugir, como se não estar ali fosse como não sentir. Encarar a realidade é demasiado forte para mim. Desvio o olhar e penso que o que os olhos não vêem, o coração não sente. E se olho, sinto como se o mundo se calasse, as pessoas desaparecessem e só estivéssemos nós ali. Não me fales com esses teus olhos que parecem tão próximos quando estão tão distantes. Não me ensines um caminho que não aquele que eu tracei. A vida já vai longa, as casas já bem construídas, e eu nunca fui boa a entrar pelas janelas. Se chegamos até aqui, conseguimos continuar, por caminhos diferentes e tão distantes quanto consigamos. São faíscas, são borboletas no estômago, é algo que não consigo explicar, e que guardo para mim como quem fecha um cofre. Tenho de deitar a chave ao mar, enterrá-la na areia e esperar que tudo se dilua junto dela.

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A borracha do apagão

Nunca desejei tanto ter uma borracha que apagasse o momento em que nos separamos, cada uma para seu lado, sem razão nenhuma. Ou, pelo menos, que apagasse a tua existência na minha vida para que, pelo menos, não doesse como me dói agora.

É uma mágoa que se tem criado em mim, e aumentado à medida que o dia se vai tornando cada vez mais real e próximo. Não acredito que não estarei lá, num dos dias que vais considerar mais importantes na tua vida. Não acredito que eu, que fiz para que tu estivesses aí e dissesses sim com essa vontade, não estarei lá para vos ouvir. Se eu não existisse na tua vida, talvez tudo tivesse igual, e vocês estivessem juntos da mesma forma e com o mesmo tempo, mas eu existi e fiz-lo. Fui parte da história, desde o início. Não acredito que os meses se têm passado e que eu não estou ao teu lado, a dizer-te que sim, se gosto ou não, se é a tua cara ou não. Não estarei lá para te dar a mão e dizer que chegou o dia. Não pegarei na cauda para te ajudar a caminhar, nem levantarei o copo de champanhe para te desejar toda uma vida feliz. Nem nunca saberei se sou eu a próxima, porque não me convidaste a tentar apanhar o teu ramo.

Sinto-me verdadeiramente triste, como poucas coisas me fazem sentir. Mas, se calhar, o problema sou mesmo eu que não sei dar valor até perder. Sou eu que não dou importância ao que devia dar, e que me habituei a deixar o tempo passar e esperar o que ele tiver para me dar. Acomodei-me a não ter, e já não sei viver a lutar. Deixa-me acreditar que este é o sentido certo da vida.

E tu, alguma vez pensaste em ter-me ao teu lado neste dia? Hesitaste quando retiraste o meu nome da lista dos possíveis?

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A falta do amor

OKAM9W0.jpgÉ quando me deito na cama que percebo a falta que o amor me faz. Deitar e sentir um outro corpo ao meu lado, onde posso entrelaçar as nossas pernas e aproximar o corpo, muitas vezes juntar formando um S, ou sentir um beijo de até amanhã na testa. Mas não é uma despedida, ele vai ficar ali. Ele vai abraçar-nos nos pesadelos, e mandar-nos dormir nas noites de insónias, encostar-se quando o frio for maior e acordar-nos quando estiver na hora de pôr a pé. Vivemos para o amor, da nossa metade, das pessoas que nos deram ao mundo e daqueles que ainda vamos trazer para o mundo. Não há nada melhor que um coração confortado e um ouvido amigo em todas as horas. Nunca o trocaria pela solidão dos dias, as refeições sozinhas, a cama gelada e o silêncio das noites. No final, tudo se divide e somado tem ainda mais força, ainda mais amor, ainda mais união. E é tão boa a certeza de não estarmos sozinhos.

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